bandas boas eram as de antigamente…

Primeiramente, bom dia.

Sabe, de vez em quando, a gente escuta algo como bandas boas eram as de antigamente. Pink Floyd, Led Zeppelin, eles eram geniais, blá blá. Hoje só tem banda ruim, blá blá. Essas bandas merecem sim tantos elogios, como tantos outros artistas antigos. Porém, essa tendência de olhar para o que é novo com um certo preconceito é extremamente ruim para artistas novos que buscam espaço. Alguns podem até pensar que antigamente as bandas passavam pelas mesmas dificuldades, mas não, naquela época a informação era transmitida de forma mais lenta e as pessoas passavam mais tempo digerindo um álbum, se identificando e conseguindo tirar dele a genialidade que ele possui. Hoje, com a internet, a informação circula muito mais rápido e o tempo de absorção passa a ser muito mais curto e, principalmente, devido a pouca disponibilidade de tempo com a atenção do público, grandes bandas, grandes artistas possuem grande dificuldade de se firmar e cativar um grande público.

Com isso, talvez seja importante refletir: é realmente possível perceber alguma genialidade musical enquanto se desce o feed do Facebook e escuta uma música de alguma playlist?

“Mas a internet é uma ferramenta perfeita para artistas novos conseguirem espaço. Antigamente era muito mais difícil lançar material, hoje apenas com alguns cliques é possível acessar as músicas” – disse alguém na platéia.

Tudo isso é verdade, meu amigo, entretanto, mesmo o acesso sendo fácil, a brevidade de absorção do público é um gigantesco problema como foi dito acima. Não apenas isso, quando algo é postado na internet, ele se torna disponível para todos que a possuem, mas encontrar o que é postado se torna uma tarefa relativamente difícil. Costuma ser necessária muita pesquisa, e a maioria das pessoas não tem esse tempo para gastar pesquisando, e ainda, quando uma banda investe em publicidade, claramente, o público será aumentado, entretanto, o problema do preconceito com o novo dificulta bastante o processo.

Na perspectiva do cenário musical independente, a utilização da internet tem que ser bem calculada, não se pode a ignorar, nem acreditar completamente em seu potencial. A internet é muito incerta e há ainda muitas coisas a serem desbravadas, e um longo processo de desconstrução de preconceitos.

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A arte na contramão

Fortaleza, a arma_florcapital mais violenta do Brasil. Essa notícia realmente é de chamar a atenção. Talvez você se pergunte como ela pode fazer parte de um blog que fala de música independente.

Há um tempo, eu havia chegado à conclusão de que a atividade cultural é uma das melhores alternativas na prática da inclusão social. Ok, ok, eu sei que é lugar comum, mesmo assim, regiões onde se encontram os maiores índices de violência são geralmente carentes em infraestrutura e auxílio governamental, e nas mesmas também ocorre um processo de exclusão cultural. A população da periferia, ainda  que possuindo uma cultura própria, sofre com preconceito e também com o processo de camarotização, que acontece com espaço urbano da cidade, fazendo com que certas atividades culturais sejam taxadas como algo restrito a um grupo e, mesmo não ocorrendo essa restrição legalizada, esse processo de exclusão ocorre na prática.

Como esse é um blog sobre música independente, acredito que é justamente nesse âmbito que a música pode agir como ferramenta de transformação. Mas porque o independente? Porque ele é um meio em que o indivíduo pode ser proativo e não apenas receptor de informação. Essa proatividade colabora com o processo de inclusão cultural. Eventos construídos com a comunidade, pelo esforço de cada um, facilitam a identificação com o público, já que, mesmo que indiretamente, esse mesmo público protagonizou o processo.

Assim, sou levado a acreditar que ações culturais devem se incentivadas a se ramificar pela periferia (alguns coletivos já fazem isso e com um ótimo trabalho). Coisas assim devem ser sempre incentivadas.

Um dos grandes desafios do meio independente é a conquista de público. As formas possíveis de driblar esse desafio são diversas, mas todas formas caminham para a tentativa de criar uma relação de conexão com públicos de diversas regiões. No caso de Fortaleza, essa conexão seria entre os bairros, gerando uma verdadeira teia. Para isso é necessário as ações na periferia – algo que já vem acontecendo com eventos gerados por ela mesma. Mais eventos de bandas independentes devem ser protagonizados em áreas que sofrem com a exclusão cultural, para isso o do it yourself tem que ser posto em prática.

Vamo lá, minha gente. A violência está bastante veloz mas, na contramão, a arte pode desacelerá-la.