Minha máscara undergraund

Não posso me render à procrastinação, confesso que ela é bastante confortável, mas a ânsia de desprender algumas palavras, enquanto me analiso e falo de música, foi bastante tentadora, e ainda tem todo esse  possível caráter revolucionário de fortalecer o movimento e essas paradas, isso meio que instiga minha mente jovem, me leva a me imaginar na década de setenta, na explosão do punk.

Hoje vou falar um pouco sobre consumo cultural e um pouco da hipocrisia que guardo bem guardadinho por baixo da minha máscara underground, a típica pessoa que reclama por ter poucos acessos no blog que escreve, e que ela mesma mal lê apenas um (houve uma época na minha vida que cheguei a acompanhar mais, mas agora não vem ao caso).

Como nos tornamos consumidores ? (que pergunta mais com cara de TCC, ou talvez seja muito genérica para isso). As resposta não são tão claras assim, principalmente por nascermos imersos em uma sociedade de consumo. Mas, falando de mim, acredito que muito do gosto se constrói por influências sociais e por hype comercial. Meu pai costumava  escutar umas coisas de rock e blá e blá, daí também umas questões de relações sociais, grupinhos na escola e etc. Mas o ponto que quero chegar é no momento por volta dos 15 anos que fui fuçar no youtube, aí comecei a encontrar mais coisas  diferentes (conheci The Cure) e depois uma amiga me indicou um blog (monkeybuzz, o blog que lia com bastante frequência). Desde aí, meu gosto foi se consolidando, com esse blog comecei a escutar nichos independentes, o que foi me fazendo pensar em como a música é massa e quanto seria mais massa  ainda se mais e mais bandas conseguissem  se consolidar e conseguir algum dinheiro com isso.

Foi aí que surgiu os sonhos e esses sonhos ganhavam mais forma  quando envolvia interesses pessoais: eu queria ter uma banda, eu queria conseguir fazer shows, conquistar um público, ganhar uma grana (ainda quero). Ok, esse Leo de sonhos fortificados é um pouco o Leo de agora, mas aí que vou falar um pouco de hipocrisia e a forma como lido com o consumo atualmente. Percebo que para consumir som local e independente requer um pouco de disciplina, não falo em disciplina em escutar um som que não agrada, mas falo na disciplina de lembrar. Às vezes, me encontro completamente perdido num ciclo sem fim de álbum que sempre escuto e mal largo, me limitando a apenas um artista/trabalho, aí que entra a disciplina.

Outro ponto é o hábito de frequentar os shows locais, acho que sou um pouco hipócrita aí, tem bandas que realmente gosto e acabo não indo por preguiça mesmo, aí o que entra em questão é a valorização, que eu acho que o ponto mais delicado da história, é a parte que envolve a nossa essência alienada. Das bandas undergrounds/independentes as que eu acabei mais valorizando foram as que tiveram um grande hype. E é com essa conclusão que eu  fico meio perdido, não entendo como o meu consumidor interior funciona grande parte das vezes, ele age como parte de um rebanho, e às vezes me sinto nesse rebanho… Meio que puxando uma roda de mosh.

Vai entender.

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